Águia Escorpião
WamanIla, em Quechua - A Visão da Águia
“O verdadeiro guerreiro não é derrotado quando morre na
batalha.
Só quando desiste.”

Escorpião é a evidência da transformação. Nessa época do ano
no hemisfério norte, torna-se explícita a nova tendência na natureza, que demonstra
perceptivelmente para homem, a predominância das forças da noite sobre os dias,
do frio sobre o calor, fazendo-se valer das quedas nas árvores das folhas viçosas
vindas do verão, para anunciar a aproximação do inverno: é o início do fim.
A
natureza no outono se reveste de outra roupagem, uma folhagem rubra que vai
secando queimada pelo frio. A presença da morte, sentencia, é um aspecto
inseparável da vida.
A genuína transformação vem de dentro para fora. As águas
que estavam paradas começam a se colocar em movimento interno acelerado, mas
como uma verdadeira revolução, ainda é invisível ao que se passa lá fora. Daí
deriva o mistério, e o aspecto insondável do mundo interior do Escorpião.
Em Escorpião o amadurecimento chega ao ponto, ao saber lidar
com os sentimentos e as emoções, pois são os sentimentos a fonte de toda
emoção. E nisso reside seu maior poder. Se passar do ponto, o que amadureceu
começa apodrecer. Ponto de mutação, quase imperceptível, separa o denso do
sutil, o corpo do espírito, a vida da morte.
O equilíbrio para a manutenção da vida é muito tênue e
quando é quebrado, o corpo perde o calor, e a alma se desprende para aprender
novas lições.
O que foi?
- nada!
Mas é um “nada” cheio de tudo. Com toda a carga emocional
que ali estava represada, apenas aguardando uma brecha para se expressar: -
Nada, apenas que isso me cala!
No estágio mais primitivo da
consciência, o Escorpião traz a percepção desse limiar com o que é desconhecido
e está oculto: a entrada no mundo dos mistérios, a chegada do início do fim.
Junto vêm as emoções do medo e do desejo, como dizia Leonardo da Vinci, diante
da "caverna negra".
- Medo - do que possa vir acontecer, a escuridão do desconhecido.
- Desejo - de ali encontrar algo que seja miraculoso.
No estágio seguinte, o Escorpião já
não é invadido pela força da emoção, ou pelo instinto de defesa: já não se
sente ameaçado. Flui o poder da visão. É a compreensão do que precisa ser
transformado, em si mesmo e no outro, que ergue o vôo certeiro da Águia Dourada
na direção do Sol, e do mais alto, permite capturar a vítima e o que até então
lhe parecia ameaçador.
E no estágio ainda mais evoluído,
nasce (ou renasce) a Fênix, de suas próprias cinzas. O Escorpião nesse nível é conhecido
como a Pomba da Paz, que aplaca o desespero e intervém na desesperança. É o exercício
do poder da compaixão, a capacidade de observar sem julgamento, com os olhos de
amor, a promover a confiança, o pacto definitivo com o sentido PRO-CRIATIVO da
vida, ajudando aos demais a focarem
neles, aquilo que até então estava oculto e que precisa ser mudado.
O verdadeiro Escorpião/Águia/Fênix sabe o que é
preciso transformar, pois é o mesmo que pode destruí-lo. Sua função mais
elevada é "abrir mão do seu PODER para exercer sua POTÊNCIA”.
Parafraseando Mahatma Ghandi (ascendente em Escorpião):



